sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Desabafo.


Acredito que o ex-presidente Lula nunca imaginou que isto aconteceria.

Olá. Talvez você não me conheça, mas me tornei um criminoso em Foz do Iguaçu. Meu crime? Estudar na UNILA.
Para chegar a Foz do Iguaçu, tive que fazer várias escolhas. Já sou graduado, lecionava nas escolas estaduais de meu estado e havia sido aprovado em dois ótimos concursos públicos que tinham como salário inicial, algo em torno de, dois mil reais mensais. Entretanto, em meados de 2010 conheci, pela internet, a UNILA e me apaixonei por sua proposta de integração latino-americana. E desde então, me preparei para iniciar outra graduação.
Ou seja, até esta fase de minha vida sempre fui um cidadão comum. Contudo, diante dos acontecimentos constantes contra alunos desta instituição fica claro que algo esta errado.
A alguns dias, pela manhã, estava preparando um café, no andar térreo. E quando volto ao meu quarto me deparo com um policial em minha porta. Muito educado ele solicita meus documentos, pois no dia anterior alguns outros policiais trouxeram uma intimação (relativos aos acontecimentos de junho) e esqueceram-se de pedir que algum morador assinasse. Até ai tudo bem. Entretanto começamos a conversar e ele me perguntou:
-Foi esta a moradia da confusão?
Respondi:
-sim.
-Você estava no meio?
-Eu estava no aniversário.
-Nossa que confusão hein, eu vi pela televisão.
-Foi feio mesmo, não estamos acostumados a isto.
Então, ele disse:
-Eu seria mais radical, pois falo apenas uma vez...
Nesse momento me dei conta que existe certo ódio, preconceito, etc formado contra nós. Esta ameaça velada, disfarçada contra o mais fraco. Somos reféns do medo.
Escrevo isto por que ficamos sabendo por terceiros, que “estamos marcados”. O órgão que deveria nos proteger quer acabar conosco, nos expulsar da cidade, nos maltratar. Eu tenho família, amigos que me amam e se preocupam comigo, Deixei toda uma vida para trás para vir morar e estudar em Foz do Iguaçu. Tenho medo da cidade e de sua violência, muitas vezes preferimos ficar dentro na moradia a  sair e mesmo assim eles vem atrás de nós. Principalmente, nesta época de greves sem fim, onde o tédio é parte do cotidiano do aluno.
O problema não é o incômodo, a “bagunça”, o suposto som alto dos estudantes, o problema real é mais difícil de ser tratado e esta dentro da cabeça: o preconceito, a xenofobia o ódio contra o diferente. Pois, como uma pessoa que não nos conhece, pode saborear assim a violência dizendo que seria bem mais radical.
Nossos estudantes estão sofrendo constantes ataques, humilhações, desrespeito, etc. Declarar-se aluno da UNILA, hoje em Foz do Iguaçu, é tão perigoso quanto declarar-se comunista dentro do DOPS ou DOI-CODI nos fatídicos anos de chumbo.
Basta, quero que toda violência contra aluno estrangeiro (seja de qual fonte for) gere uma crise diplomática, quero que todo aluno brasileiro seja respeitado como um autêntico cidadão desta pátria-amada. E que a UNILA e a SAEC parem de empurrar os problemas para os mais fracos, que parem de nos humilhar dizendo que todos nossos benefícios são favores e que saibam que até o momento vocês não contribuíram em nada para a integração real, a verdadeira integração ocorre entre os alunos, de forma autônoma, durantes às aulas e durantes estas “festinhas descontroladas” que vocês tanto criticam, mas não sabem que os poucos alunos que ainda não se evadiram, apenas estão aqui graças a maior integração de todas: a amizade.

domingo, 15 de julho de 2012

O Manifesto I




I
O Manifesto:
é a luta;
a denúncia;
a igualdade;
a desigualdade;
a universidade;
a cidade;
a rua;
a periferia;
a elite;
o homem;
o ateu;
o crente;
é deus
é a humanidade.

II
O Manifesto:
é morrer;
é amar;
é gritar;
é cantar;
é escrever;
é poetizar;
é bater,
dar a cara pra bater;
é relativizar;
é criticar.

III
O Manifesto:
é através das nossas palavras,
tudo isso, são todos os (pré) conceitos, são todas as pessoas;
criticar aqueles que não querem ser criticados.
Pelo manifesto incomodaremos
da rua à universidade,
do pobre ao rico.
Todos fazem parte do Manifesto
por ele será ecoado um novo grito,
não um grito de guerra,
um grito de liberdade e direito.

IV

É tudo ou o nada,
o Manifesto é:
é o desempregado que busca um emprego;
é o andarilho da sua rua;
é o estudante estuprado pelo ensino;
é o jovem que vegeta;
é o velho na fila do S.U.S.;
é o negro;
é o branco;
é o índio;
é o brasileiro;
é você que está lendo isso;
todos nós somos O Manifesto;
é a transformação.


V
O Manifesto por si só
é O Manifesto.




Carlos F Branco - Unicentro/G 






sexta-feira, 22 de junho de 2012

Direto de Assunção

Primeiras notícias direto de Assunção.
Por: Rafael Gomes
Indignação

Os paraguaios, na sua maioria estão indignados com o que acusam ser um "golpe, praticado por corruptos que querem voltar ao poder à todo custo", declarou uma manifestante que se manteve em vigília junto à centenas de pessoas que chegavam de todas as partes do país, na madrugada desta sexta-feira.

Para os líderes, que discursaram durante toda noite, as acusações são rasas, puramente políticas e têm como pano de fundo as mudanças que o presidente está conduzindo, sobretudo no que diz respeito à distribuição da terra.

O movimento Frente Iguazu, que congrega mais de vinte organizações sociais que foram decisivas na vitória do presidente em 2008, está mobilizando em todo país caravanas de trabalhadores que chegam a todo momento a Assunção.

Na capital, o clima é de tensão. A multidão aumenta a cada hora, e aos poucos preenche a Plaza de Armas, na frente do congresso, cercada por uma muralha de quatro mil policiais. Nas rádios do país, o apelo é para que a população se mantenha em suas casas. O clima entre os populares e alguns meios de comunicação é hostil. A maioria não acredita nos grandes meios de comunicação e dessa forma, o apelo das rádios, surte, em certa medida, efeito contrário. Para amedrontar e alarmar a população, os meios sentenciam a renúncia do presidente, para evitar o que eles estão chamando de "risco de derramamento de sangue".

Acusação

A oposição, liderada pelo Partido Colorado acusa o presidente de "mal desempenho das suas funções" e na tarde desta sexta-feira levará Fernando Lugo a julgamento político sob outras cinco acusações. Segundo a oposição, pesa sobre Lugo omissão de atividades políticas partidárias no interior de quartéis militares; invasão de terras privadas; insegurança a que atravessa o país;  voto no mercosul contra a opinião do congresso, e o que eles consideram o mais grave: a matança de Curuguaty, ocorrida na semana passada, onde dezessete morreram.

O presidente se prepara para sua defesa. Ele terá duas horas para responder às acusações e a partir de então será decidido o destino do seu mandato.

Golpe no Paraguai

Há duas décadas sem ditadura e apenas três anos livre das forças que governaram o país por ininterruptos sessenta e cinco anos, o Paraguai e sua jovem democracia volta a sofrer amaça de um golpe autoritário.

O presidente Fernando Lugo, eleito pelo voto das camadas mais populares, como trabalhadores do campo e indígenas, enfrenta uma crise contra a qual conta com apenas um voto, dos setenta e três da câmara dos deputados. No senado, a situação não é diferente. A base parlamentar do presidente, formada pela aliança que o elegeu, denominada "Aliança Patriótica para el Cambio" encontra-se extremamente dividida. A nove meses das eleições presidenciais, o que era uma ampla aliança, se fragmentou em cinco pré-candidatos, sendo um deles, o atual vice-presidente do país.

Apesar do escasso apoio político no congresso é nos movimentos populares que se encontra a principal força sustentadora do presidente Lugo.




Moradores da Quebarada vão a Assunção acompanhar os últimos acontecimentos.


Na noite de ontem (21/06) Leonardo e Rafael saíram da moradia rumo a capital paraguaia. Munidos somente de uma câmera e de muito espirito de investigação, ambos lançaram-se rumo a Assunção para acompanhar de perto todo o movimento de tentativa de  impeachment sobre o presidentes Fernando Lugo.
Relatos asseguram que os dois já chegaram a Assunção na manhã desta sexta-feira.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A quem interessa desacreditar o projeto da Unila?



Gilmar Piolla

18 de junho de 2012

Nas últimas semanas, o projeto da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – Unila, uma das maiores conquistas dos 98 anos de Foz do Iguaçu, tem sido alvo de uma orquestração tramada por politiqueiros e oportunistas para desacreditá-lo.

Incidentes isolados, envolvendo alguns alunos, serviram de pretexto para uma campanha sistemática contra a instituição. Busca-se, desta forma, jogar a opinião pública iguaçuense contra um projeto que já está trazendo muitos benefícios para a nossa cidade e região.

Esta é a agenda dos que nada constroem e não têm nenhum compromisso com o futuro que queremos para Foz do Iguaçu. É preciso ter uma visão míope e obscurantista para não reconhecer o ganho extraordinário que significa para uma cidade como Foz do Iguaçu abrigar uma universidade pública do porte da Unila.Não há uma cidade brasileira, excluindo as capitais, que tenha prosperado e alcançado status de polo regional sem a presença de uma forte instituição universitária.

Santa Maria e Pelotas, no Rio Grande do Sul; Viçosa e Ouro Preto, em Minas Gerais; Campinas e São Carlos, em São Paulo; Maringá e Londrina, no Paraná; são belos exemplos de cidades que alcançaram, nas últimas décadas, um invejável nível de desenvolvimento, devido, em grande parte, à presença de conceituadas universidades públicas, federais e estaduais.

Ter sido escolhida pelo ex-presidente Lula como sede da Unila, um projeto único e inovador, foi o maior presente que Foz do Iguaçu poderia desejar na década do seu centenário.

Aqueles que torcem pelo insucesso do projeto e que comemoram cada notícia negativa sobre a instituição veiculada pela mídia (uso irregular de veículo, morte de um aluno, greve de professores, detenção de estudantes, entre outras), estão cometendo um gravíssimo equívoco, pois trabalham ativamente contra o desenvolvimento da cidade.

Depois da construção de Itaipu, nenhum outro projeto trouxe maiores investimentos para a região Oeste do Paraná. É hora de tomar uma posição pública em defesa da Unila e denunciar os que conspiram para desacreditá-la.

Não se trata, aqui, de concordar com a gestão do atual reitor nem de tomar partido nas disputas internas, que devem ser resolvidas democraticamente pela comunidade universitária, no pleno exercício da sua autonomia, assegurada pela Constituição Federal.

Acredito, no entanto, que o Professor Hélgio Trindade, com a sua experiência, saberá conduzir a instituição neste momento difícil. Está na hora da Unila se integrar mais à cidade e a cidade à Unila, para que ambas se percebam e se reconheçam como parceiras indissociáveis deste projeto de futuro que estamos construindo.

Tudo começou – ou se agravou? – a partir de um lamentável incidente ocorrido na madrugada do último dia 3 de junho, quando uma intervenção da Polícia Militar (PM), que tinha como objetivo declarado coibir supostos excessos, durante uma festa promovida pelos alunos que moram no Hotel Passaporte, descambou numa ação desastrada na qual sobraram cenas de violência.

É profundamente lamentável que este episódio isolado esteja sendo usado para insuflar os ânimos e criar um clima de revanchismo e retaliação. A Unila agiu de forma correta ao solicitar à Corregedoria da PM a abertura de um processo de apuração do incidente.

Afinal, estaria abrindo um precedente perigosíssimo se, por omissão ou covardia, a instituição deixasse de denunciar o que considerou “os excessos cometidos pelos policiais militares no exercício de suas funções”.

No entanto, a reputação da PM de Foz do Iguaçu não pode ser maculada pelos eventuais abusos cometidos por alguns membros da corporação, da mesma forma que a Unila não pode ser vilipendiada pelo comportamento desviante de alguns poucos alunos que ainda não se conscientizaram do privilégio que têm de estudar numa instituição pública e gratuita, que proporciona inúmeros benefícios que não estão ao alcance da maioria dos estudantes brasileiros que freqüentam universidades públicas.

Por isso, esperamos que o incidente sirva para estimular um salutar diálogo entre as duas instituições públicas que, com funções distintas, devem prestar contas à sociedade, a quem devem servir.

Tanto a Unila quanto a PM são instituições públicas e como tais devem primar pela transparência, apurando eventuais desvios de conduta dos seus membros, de acordo com os procedimentos administrativos e legais disponíveis.

Mas não podemos nos calar diante da exploração inescrupulosa que alguns segmentos da mídia sensacionalista vêm fazendo deste episódio para atacar a Unila, colocando em risco os membros da comunidade, sobretudo os estudantes, que passaram a ser alvo de vigilância e assédio policial.

Quisera Deus que os problemas de segurança pública da nossa fronteira se resumissem aos “excessos” de alguns estudantes universitários!

O respeitadíssimo jornalista Aluizo Palmar, valoroso defensor dos direitos humanos, manifestou a sua perplexidade diante do que está acontecendo nos seguintes termos: “Não entendo. Fizeram onda danada sobre Foz do Iguaçu passar a ser um polo universitário e depois de instaladas duas universidades federais na cidade, surge essa onda danada contra os estudantes. É o supra-sumo do atraso. Ouro Preto convive em harmonia com os estudantes, suas repúblicas e festas estudantis. Essa xenofobia faz mal para a cidade. Nossa Foz do Iguaçu passa uma imagem de intolerância”.

Faço minhas as suas sábias palavras. Ninguém está defendendo que se dê aos estudantes, sejam da Unila ou de qualquer outra instituição de ensino, salvo-conduto para praticar atos antissociais e cometes ilícitos penais. Afinal, a função primordial de qualquer instituição de ensino que se preze é formar cidadãos, conscientes dos seus direitos e das suas obrigações.

Mas é preciso ter um olhar generoso, tolerante e acolhedor para com os milhares de estudantes de todas as regiões brasileiras e de um crescente número de países latino-americanos que estão chegando todos os anos para estudar na Unila e em outras boas instituições universitárias de Foz do Iguaçu.

Eles devem sentir-se acolhidos e bem-vindos. Afinal, sempre nos orgulhamos de fazer parte de uma comunidade multicultural, multiétnica e multirreligosa, que respeita as diferenças e valoriza a diversidade.

Esta é a nossa principal riqueza e um valor do qual não abrimos mão. Xô preconceito! Xô xenofobia! Queremos ser o centro da integração latino-americana! A Unila é parte deste projeto maior! Por isso, merece ser defendida e apoiada para que venha a realizar a utopia que lhe deu origem.

Gilmar Piolla é jornalista.

Fonte:

sexta-feira, 15 de junho de 2012

EM APOIO A TODOS ESTUDANTES QUE CONVIVEM COM A AGRESSÃO DA POLÍCIA MILITAR E A DIFICULDADE DE DIÁLOGO COM SUAS UNIVERSIDADES AO MANIFESTAREM SEUS DIREITOS!


Nós estudantes da Universidade Federal da Integração Latino Americana e residentes da Moradia Estudantil Quebrada do Guevara em Foz do Iguaçu, prestamos nossa solidariedade aos estudantes presos na noite de 14 de junho de 2012 na Universidade Federal do Estado de São Paulo.
Compartilhamos a Nota de Apoio aos estudantes da UNIFESP, produzida pelos centros acadêmicos da mesma:

Moção de Repúdio à prisão dos estudantes do comando de greve do campus de Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo.

São Paulo, 15 de Junho de 2012,

O comando de greve do campus São Paulo, composto pelos centros Acadêmicos do campus, vem por meio desta moção repudiar a ação truculenta da Polícia militar do Estado de São Paulo, a ação do diretor do campus de Guarulhos, Marcos César e a ação da reitoria da UNIFESP, representada pela pessoa do senhor Walter Manna Albertoni.
Ontem, dia 14 de junho de 2012, em manifestação pacífica, alguns estudantes unidos no campus de Guarulhos foram abordados de forma violenta pela PM, a qual foi acionada pelo diretor de campus com apoio da reitoria. Os policiais atiraram nos estudantes com balas de borracha e um estudante foi gravemente ferido. Além disso, um policial imobilizou violentamente uma estudante, com apoio de seus comparsas. A reitoria se recusa a negociar a libertação dos 22 estudantes que estão presos na Policia Federal e apoia a violência cometida pelos policiais.
Manifestamos nosso repúdio a estas atitudes, que reprimem um movimento legítimo, em defesa da educação pública e que luta contra o sucateamento das Universidades federais do país. Entendemos que a situação em que se encontra a UNIFESP é insustentável e que esta reitoria ultrapassou todos os limites do autoritarismo e da repressão ao movimento estudantil.

Sem mais,

Centro Acadêmico Pereira Barretto (CAPB)
Centro Acadêmico Ana Brêtas (CAAB)
Centro Acadêmico de Fonoaldiologia (CAF)
Centro Acadêmico Leal Prado (CALP)
Centro Acadêmico de Tecnologia em Saúde (CATS)"

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Conselho de Segurança de Foz do Iguaçu será reativado



O Conselho de Segurança Pública de Foz do Iguaçu será reativado. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (06), durante a terceira reunião ordinária do Gabinete de Gestão Integrada da Fronteira (GGIFron), em Foz do Iguaçu. Além dos representantes da área de segurança pública, o conselho terá a participação de entidades ligadas ao comércio, à sociedade civil organizada, igrejas e órgãos públicos das esferas municipal, estadual e federal. 

Segundo o secretário da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida Cezar, o GGIFron já é referência nacional. “O Ministério da Justiça elogiou a iniciativa pioneira do Paraná, e isso nos motiva, principalmente porque está sendo lançado em âmbito federal um plano estratégico para as regiões de fronteiras com a meta de reduzir homicídios. Poderemos contribuir muito neste processo”, afirmou. 

O secretário também lembrou que o governo do Estado estuda a implantação do batalhão de fronteira, que será uma unidade especializada da Polícia Militar. “Em poucos meses da atual gestão já conseguimos reduzir os índices da criminalidade aqui em Foz do Iguaçu. No primeiro trimestre houve redução de 21%, em média, no índice de homicídios no Paraná. Também diminuiu o índice de furtos e de roubos, e isso significa um novo momento da segurança pública do Paraná”, disse.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcos Teodoro Scheremeta, lembrou que as regiões de fronteira, especialmente Foz do Iguaçu, apresentam características e demandas de segurança pública diferenciadas. “Somente com a união de esforços, engajamento e dedicação de todos é que poderemos vencer o crime, o tráfico de drogas, armas e munições, além de outros delitos transfronteiriços. E os reflexos destas ações serão sentidos em todo o Paraná e no Brasil”, disse. 

O comandante também disse que as ações do GGIFron formam um cinturão de segurança no Paraná, dificultando a atuação de traficantes tanto aqui quanto em outros estados.

Reuniões de trabalho do Gabinete deverão ser freqüentes para o planejamento de ações integradas visando proteger o paranaense. “A criação do GGIFron é um avanço e tenho certeza que trará uma nova realidade numa área de difícil controle, como é a fronteira sul do Brasil aqui na região de Foz do Iguaçu”, disse o delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinicius Michelotto. 

Criado em abril pelo governador Beto Richa e pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o gabinete tem por atribuição planejar, coordenar e executar ações policiais de combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas e armas nas fronteiras do Paraná com a Argentina e o Paraguai. É integrado por representantes dos órgãos de segurança das esferas federal, estadual e municipal. Tem sede em Foz do Iguaçu e terá bases operacionais em Barracão e Guaíra.
fonte:http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=64544&tit=Conselho-de-Seguranca-de-Foz-do-Iguacu-sera-reativado

UNILA: Amiga ou Inimiga?


A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) é um projeto inédito na América Latina e marcado pela preocupação com a multiculturalidade, bilinguismo e interdisciplinaridade tanto no ensino, como na pesquisa e no relacionamento com o entorno social, na Região Trinacional. (Fonte: Site da UNILA). A Universidade está instalada em Foz do Iguaçu há quase três anos em instalações provisórias enquanto sua sede está em andamento e quando concluído atenderá dez mil estudantes, sendo a metade (cinco mil) estudantes brasileiros e a outra metade de estrangeiros oriundos de toda a América Latina e do Caribe.

Nos últimos dias, diversos fatos têm ocorrido fazendo com que a imagem da instituição e corpo discente seja afetada negativamente. Fatos estes explorados amplamente pela mídia televisiva local, o que tem gerado um mal estar entre a sociedade iguaçuense e os estudantes da Unila de forma generalizada. Não convém aqui entrar numa discussão sobre esses fatos e muito menos quem está certo ou errado. O mundo está cheio de pessoas certas e erradas que defendem seus pontos de vista até as últimas conseqüências gerando assim ódio e intolerância. Mas é perigoso julgarmos todo um grupo heterogêneo em função de alguns atos isolados. Toda vez que generalizamos corremos o risco de cometer injustiças e julgarmos quem não tem nenhuma relação com os fatos.

Nas moradias há estudantes de diversas nacionalidades e diversos locais do território brasileiro, pessoas que são filhos de alguém, irmão de alguém, que deixaram suas famílias, costumes, clima entre diversos outros fatores acreditando no imenso e desafiador projeto Unila. Foz se tornou sede desse projeto pela diversidade de grupos e proximidade de fronteiras com outros países. Por se tratar de um projeto inovador e grandioso, é claro que problemas surgem, mas a soluções são dadas com o decorrer do tempo, é um aprender com os erros, e não punir simplesmente por punir.

Os fatos envolvendo alunos da instituição tomaram proporções gigantescas através dos meios de comunicação da cidade, não queremos aqui esconder nem omitir os fatos ocorridos, mas a forma como isso tudo tem sido tratado é como se Unila estivesse formando vagabundos, delinqüentes ou bandidos, quando é justamente o contrário. Toda Universidade tem a missão de trabalhar em prol do desenvolvimento do local em que está inserida, desenvolvendo projetos, apontando soluções para as diversas problemáticas que a sociedade apresenta. Este deve ser o olhar da cidade para com a Universidade que nela se instala e não o contrário, como sugerem as reportagens veiculadas nas últimas semanas. Esta é também a missão da Unila, além do seu aspecto mais abrangente a nível de América Latina

Os alunos que vem de outros locais e inclusive alguns moradores de Foz do Iguaçu, que não possuem maneiras de se sustentar tendo em vista que a maioria dos cursos é de período integral recebem auxílios do governo como moradia estudantil, vale alimentação e vale-transporte. Infelizmente no nosso país é a exceção e não a regra, mas abre um precedente para que no futuro isso seja aplicado em outras instituições. Não podemos julgar as pessoas porque recebem estes benefícios. É evidente que aquele que é beneficiado, deve agir com coerência, sabendo que não é de graça que estes benefícios chegam até ele, mas isto não será determinante se este estudante irá estudar mais ou menos, se a sua conduta será exemplar ou não porque existem outros fatores que influenciam o comportamento humano que extrapolam o ser ou não beneficiado.

E estamos aqui falando de seres humanos nada além disso, que antes de serem moradores de Foz do Iguaçu, do Japão ou da China, são seres humanos. Fronteiras imaginárias não podem ser transferidas para dentro de nossas cabeças, nos fazendo excluir e julgar simplesmente por julgar, criamos um ideal do que é certo e colocamos uma linha que divide esse limiar, são dois lados: um é onde você está e na outra extremidade o seu semelhante. Lados opostos existem em guerras, o que aqui não é o caso, se trata mais do caso de um diálogo e troca. Fiquem de olhos abertos, pois os ventos da primavera de outubro começam a soprar em pleno mês de junho.

Anderson de Oliveira e Edson Alencar de Farias Acadêmicos do 3º semestre do curso de História – UNILA. Moradores de Foz do Iguaçu a 20 e 35 anos respectivamente.




Hoje é aniversário do nosso companheiro!
Honrados de morar no lugar onde leva o seu nome, celebremos!!!

No dia 14 de Junho de 1928 nascia em Rosário, Argentina, aquele que foi considerado pela revista norte-americanaTime Magazine como uma das cem personalidades mais importantes do século XX – Ernesto Guevara de la Cerna, mais conhecido por Che Guevara ou El Che, devido ao seu constante uso do vocativo gaúcho “che”. Oriundo de uma família da classe média-alta “anti-peronista”, detentora de uma biblioteca com cerca de três mil volumes, começou desde cedo a desenvolver, em casa, o gosto pela leitura, incluindo obras de Julio Verne, Alexandre Dumas, Baudelaire, Neruda e Freud, mas também de Marx, Engels e Lenine que iriam moldar a sua personalidade e as suas convicções político-ideológicas.

De saúde débil, propenso a ataques de asma que o atormentariam durante o resto da sua vida, em 1932, com apenas 4 anos, Che Guevara mudou-se com a família, a conselho dos médicos, para Altagracía, uma localidade da região de Córdoba, onde iniciou e terminou os estudos liceais, e mais tarde para Buenos Aires, ingressando em 1946 na Universidade, no curso de Medicina que viria a terminar no ano de 1951. Entretanto, através de viagens empreendidas a outros países da América latina no exercício de uma das suas profissões temporárias de repórter fotográfico ou por iniciativa própria, o jovem médico foi reforçando as suas convicções ideológicas revolucionárias à medida que se ia inteirando das situações de miséria e sofrimento em que o continente se via mergulhado, sobretudo a Guatemala, onde em 1954, Guevara assistiu à luta e ao triunfo de Guzmán, eleito presidente desse Estado à frente de um partido de cariz popular. Definindo-se, a partir daí, como um sério opositor ao imperialismo norte-americano, no ano seguinte estava no México, onde conheceu os irmãos Castro, Raúl e Fidel, e veio a participar em todo o processo revolucionário cubano durante o qual logrou granjear a maior quota-parte da fama que o imortalizou em toda a sua épica Cruzada contra a opressão e a favor da liberdade dos povos. Após o triunfo da revolução cubana, e garantida a sua estabilidade após novo triunfo contra o imperialismo dos EUA e os anti-castristas na Baía dos Porcos, sentiu o revolucionário errante o chamamento de novas missões pelo que, em 1965, com a anuência de Fidel, partiu para o Congo com um destacamento de cem”internacionalistas” cubanos, onde, por razões que são imputadas à sua própria imprudência pela falta do necessário reconhecimento prévio da realidade cultural e sociológica africana, conheceu a sua primeira grande decepção.

Em seguida parte para as montanhas da Bolívia, onde julga, a partir daí, poder estabelecer uma base de guerrilha unificada dos países da América Latina com vista à invasão da Argentina. Aí conhece nova desilusão, não consegue o esperado apoio do Partido Comunista boliviano nem a simpatia da escassa população rural e, em estado de extremo desgaste físico e moral, é capturado no dia 8 de Outubro de 1967, conduzido à aldeia de La Higuera e, aí, ingloriamente abatido, no dia seguinte, por um simples soldado boliviano.

Os seus restos mortais, descobertos, em 1997, numa vala comum na cidade de Vallegrande, que fica a cerca de 50 Km de La Higuera, foram trasladados para Cuba e enterrados com honras de chefe de Estado, na presença de membros da família e de Fidel Castro. Também em Cuba foi erigido um monumento em sua homenagem, com base na célebre foto de Alberto Korda, d’o Gerillero Heroico.

Fonte: http://diarioliberdade.org

União propõe mudar carreira e greve universitária pode acabar dia 19

Em reunião feita na terça-feira à noite com representantes de sindicatos de professores que lideram o movimento grevista das universidades federais, os ministérios do Planejamento e da Educação se comprometeram a apresentar um esboço de reestruturação da carreira docente na terça-feira, dia 19. Até lá a paralisação, que já atinge mais de 80% das atividades de 50 universidades (a rede federal tem 59) e cinco institutos tecnológicos, continua, mas poderá acabar se a categoria aprovar a iniciativa do governo nesse novo encontro. A greve começou em 17 de maio.
Os sindicalistas foram recebidos por três horas pelos secretários de relações trabalhistas, Sérgio Mendonça; de educação superior, Amaro Lins; e da rede de ensino técnico e tecnológico federal, Aléssio Barros. Na ocasião, o governo se comprometeu a apresentar em 20 dias nova proposta de plano de carreira, contanto que a greve terminasse imediatamente. A ideia foi rechaçada. 'Vim para a reunião esperando que fosse apresentada uma proposta e que sairíamos daqui para virar a noite estudando o que fosse apresentado', relatou Marina Barbosa, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).
Diante da negativa, os negociadores do governo agendaram nova reunião num prazo de uma semana para a apresentação de um esboço do projeto que reestrutura a carreira docente federal no país. A principal reivindicação dos professores parados é o estabelecimento de carreira única para todos os docentes, com 13 níveis salariais e promoções a cada dois anos.
fonte:

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A luta da UNIFESP também é nossa luta!


Polícia desocupa prédio da Unifesp de Guarulhos tomada por estudantes
14
Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil
Matéria da Carta Capital.
São Paulo – A Polícia Militar (PM) de São Paulo desocupou no início da noite de quarta-feira 6 um prédio administrativo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Guarulhos, que estava tomado, desde a última quinta-feira, por estudantes. Segundo o Centro de Operações da PM, 41 alunos foram presos pela polícia e levados para a sede da Polícia Federal no bairro da Lapa, em São Paulo.

Os policiais cumpriram decisão da 1ª Vara da Justiça Federal em Guarulhos (SP) que determinou que oficiais de Justiça, acompanhados de policiais militares e federais fizessem a reintegração de posse, ainda nesta quarta-feira, do campus em Guarulhos. Os alunos da unidade estão em greve desde o final do mês de março.

“A reintegração de posse foi determinada após o recebimento, pela 1ª Vara, de informações enviadas pela Unifesp sobre providências que foram adotadas desde 2010, ano em que havia ocorrido outra greve, para sanar as falhas que existiam na universidade apontadas pelos alunos”, disse, em nota, a Justiça Federal.

De acordo com a Justiça, a Unifesp apresentou documentos que demonstram que parte das reivindicações do movimento estudantil está sendo atendida, como a construção do prédio central e de moradia para estudantes, garantia de diversidade, alimentação e transporte de qualidade.

Em nota, a reitoria da Unifesp reclamou da postura dos estudantes. “A invasão do campus, com a depredação das instalações, não é forma legítima de manifestação ou reivindicação. Trata-se de conduta absolutamente contrária ao sistema constitucional e ao Estado Democrático de Direito. Ao contrário de resolver o problema, a ocupação do prédio só agravou a rotina acadêmica e administrativa da Unifesp”.

Onde há democracia no mundo?



No auge da guerra fria, os EUA impunham intervenções militares onde consideravam que a “democracia” estava em perigo. Tinham primeiro que caracterizar o governo como ditatorial ou que haveria um risco de um golpe que liquidaria a democracia. No Brasil foi assim, como as manchetes da imprensa o comprovam. 

Depois da guerra fria as coisas ficaram mais complexas para os EUA. Se consideram que o selo democrático é conquistado conforme os critérios liberais – eleições periódicas, pluralidade partidária, separação dos poderes, imprensa livre (“livre” quer dizer privada), em vários países surgiram e se consolidaram governos que obedecem a esses critérios, mas que desenvolvem políticas que contrariam os interesses norteamericanos.

Uma nova moda surgiu com a visão de Fareed Zakaria (ex-editor do Newswek, atualmente na Time) jornalista nascido na India, naturalizado norteamericano, com a ideia de que há governos que cumprem com os rituais do liberalismo, mas que nao seriam democráticos, porque não incentivam o capitalismo, que seria o habitat natural da democracia. Entre esses governos estariam os da Venezuela, do Irä, da Bolivia, do Equador, entre outros.

Agora um outro politólogo norteamericano, William Dobson, publica um livro na busca dos “neoditadores” e a imprensa daqui, colonizada, reproduz imediatamente a lengalenga deles. Significativamente a preocupação “democrática” dele se volta justo para países cujos governos tem antagonismos com os EUA: Irä, Venezuela, Russia, China. Para ficar evidente que seu problema não é com o sistema politico ou a estrutura social – democráticos ou nao -, mas com as posições politicas e ideológicas desses governos.

Nem pensar em países como a Arábia Saudita, o Kuait, o Yemen, o Marrocos, o Afeganistao, o Iraque, Honduras, entre outros, que não têm nada de democráticos, nem pelos estreitos critérios liberais. Mas que são aliados incondicioonais dos EUA. Não é democrático quem é nacionalista, quem desenvolve políticas internas de caráter popular, quem não se subordina aos interesses dos EUA.

Postado por Emir Sader às 20:50

terça-feira, 12 de junho de 2012

A última cartada

Mídia desesperada, muda o tom e começa a atacar o auxilio estudantil.
Em nada me surpreende o fato de que os eventos ocorridos na madrugada do último dia três de junho, aos poucos tenham mudado de foco. O que inicialmente foi reportado por alguns meios de comunicação local como baderna e agressão contra um policial, aos pouco (graças as imagens) passou para o debate da violência policial e abuso de autoridade e agora esta no âmbito do merecimento ou não da assistência estudantil.
Neste exato momento, esta ocorrendo uma batalha no campo ideológico onde as diferentes versões sobre um mesmo fato se digladiam frente à sociedade iguaçuense, cada qual intentando mostrar a sua validade. Ou seja, agora não se trata somente de justiça, mas sim de conquistar a opinião pública. A mídia lançava a versão dela, nós refutávamos e apresentávamos nossa versão. A imprensa partia de uma “verdade” pré-concebida (unileiros são baderneiros) e buscava fatos para comprovar essa “verdade”, enquanto nós nos defendíamos. Foi assim foi durante uma semana.
Entretanto, na ultima segunda-feira o tom da conversa mudou. A violência policial passou para segundo plano e os auxílios estudantis ganharam destaque. Esse é um excelente exemplo de desespero intelectual, pois na inexistência de argumentos convincentes se recorre a desmoralização do adversário perante a sociedade. E neste quesito uma determinada emissora é campeã!
Porquê atacar o auxilio estudantil? Qual sua finalidade? O que se ganha com isso? Simplesmente porque se têm total consciência de que sem ele, a maioria absoluta dos estudantes, estrangeiros e brasileiros oriundos de escolas públicas, ficarão impossibilitados de continuar os estudos, abrindo assim as portas da UNILA para os filhos da burguesia iguaçuense, que diga-se de passagem, sempre estudaram em colégios particulares, ingressem em uma universidade federal tirando o sonho de centenas de jovens menos abastados.
Ou seja, a mídia perdeu o debate e agora quer nos expulsar da cidade!
Esse auxílio estudantil que a imprensa põe como uma regalia da UNILA é na verdade um direito adquirido e conquistado com muita luta. E vale, não só para nossa instituição, como também para TODAS as universidades federais! É o decreto nº 7.234, de julho de 2010, assinado pelo ex-presidente Lula e pelo ex-ministro da educação Fernado Hadad.
Esse auxílio tem objetivos bem claros: democratizar as condições de permanência dos jovens na educação superior, minimizar os efeitos das desigualdades sociais e regionais, reduzir as taxas de retenção e evasão e contribuir para a inclusão social pela educação.
Isto é, o decreto acima citado, trata-se de uma ação afirmativa de ingresso e permanência do jovem em estado de risco socioeconômico na universidade pública. O que de fato, muito incomoda alguns setores da sociedade.
Por fim, deixamos claro nosso repúdio a este ataque desesperado contra nossos direitos. E reiteramos que não são regalias, mas parte de uma politica que visa atenuar as mazelas sociais brasileiras e latino americanas através da educação, e assim dar um suspiro de esperança aos povos sofridos do nosso continente marcado pelo abismo entre ricos e pobres.

Leia o decreto presidencial na integra:



Denúncia! Policiais voltam a invadir moradia.


Nova invasão policial na Unila por CUCAUNE no Videolog.tv.



 Palmas! Por que em uma cidade como Foz do Iguaçu, onde 12 a cada mil jovens não chegarão a vida adulta, pois serão vítimas da violência, as confraternizações da UNILA são caso de polícia e merecem grande destaque na mídia.










Local da abordagem do último domingo

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Chomsky e as 10 estratégias de manipulação midiática.



O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


Leia também.Padrões de manipulação na grande imprensa

 http://www.intersindical.inf.br/artigos_det.php?id=52
http://sociologia-jornalismoufc.blogspot.com.br/2011/05/influencia-da-midia-na-sociedade.html
http://antitelejornal2.blogspot.com.br/2012/02/midia-servico-do-poder.html

16 de novembro de 2010
Fonte: .institutojoaogoulart.org.br

“O que aconteceu com os estudantes da ‘Quebrada do Guevara’ foi a reedição de cenas vividas nessas ditaduras”




Entrevista com estudantes da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) que tiveram sua casa, nomeada “Quebrada do Guevara”, invadida pela PM na madrugada do domingo, dia 3 de junho

9 de junho de 2012

Causa Operária: O que acontecia na noite de 2 de junho na moradia dos estudantes da universidade federal que estaria a serviço da integração latino-americana?

Estudantes: Celebrávamos o aniversário de um companheiro. Éramos cerca de 25 estudantes em volta de uma fogueira na área externa da moradia, ainda na noite de sábado, 02 de junho.

Para os estudantes esses são momentos significam também a integração dos estudantes da residência estudantil, já que no decorrer do encontro, outros moradores desciam para o local. Até a chegada dos policiais.

Causa Operária: A polícia tinha mandado ou alguma ordem judicial para entrar na moradia? Quantas pessoas foram presas? Quais as acusações?

Estudantes: Não havia ordem judicial. Por isso o esforço em tirar as pessoas de detro do prédio, arrastando-as para fora.

Oito pessoas foram presas, sendo três brasileiros e cinco estrangeiros. Dentre eles, uma mulher, que não foi abordada por policial feminina. Todos presos e acusados de flagrante em perturbação a ordem.

Causa Operária: Os policiais questionaram a ideologia dos estudantes, ou a participação de vocês em movimentos sociais?

Estudantes: Sim. Um estudante, ao se declarar venezuelano sofreu insultos ao ser chamado de ditador. Um equatoriano, ao se declarar estudante de sociologia foi agredido aos gritos pelo policial que berrava: Marxista! Marxista!

Causa Operária: Houve ameaça de deportação contra os estudantes estrangeiros?

Estudantes: Sim. Aos estrangeiros, os policiais diziam que seriam enviados embora para seus países e em tom ameaçador diziam que a partir de agora eles estavam conhecendo com quem eles estavam lidando. Seguindo as ameaças, os policiais diziam que se encontrariam a sós com cada um deles.

Causa Operária: No vídeo divulgado na internet, é possível ver a violência da policia, com pessoas sendo arrastadas, golpeadas com cassetetes e chutadas. Como os estudantes reagiram? E como definem a ação da Polícia?

[Tudo é possível ver no vídeo do circuito interno que tem a integra da ação da polícia contra os estudantes: http://www.youtube.com/watch?v=pCFa2m_serU ]

O vídeo deixa claro. Os dez primeiros minutos da gravação mostram uma tentativa de negociação entre policiais e estudantes. Durante esse trecho do vídeo pode-se observar que os alunos apresentam seus argumentos e os policiais os deles.

Logo após esses dez primeiros minutos inicia-se o empurra-empurra, golpes de cassetes são desferidos contra os alunos.

É possível perceber um jovem imobilizado por dois policiais e um terceiro policial desferindo socos na altura do abdômen de um universitário.

Aos 12 minutos, se vê que durante uma discussão, dois policiais tentam pegar um estudante pela camisa. Ele consegue escapar e os militares seguem atrás, até que mesmo sob os visíveis apelos de outro estudante, conseguem levá-lo para fora, onde o imobilizam.

Na sequencia uma estudante vai até a porta e é empurrada por um policial para fora do prédio.

Aos 13 minutos uma pessoa quebra a vidraça [a porta do prédio] com uma voadora dada de fora para dentro do hotel. É difícil precisar se é um policial ou estudante. Contudo, esta cena desmente o que foi dito pelo comando da Policia Militar a alguns órgãos de imprensa de Foz do Iguaçu: “Um dos alunos saiu correndo da moradia e chutou a porta de vidro”, declarou ao jornal Gazeta do Iguaçu, o major Elias Ariel de Souza. Ainda, conforme a reportagem do mesmo jornal, somente a partir deste momento a PM precisou conter a “desordem” com o pelotão de choque. Fato desmentido com as imagens, já que o pelotão de choque já estava agindo com violência antes da quebra da vidraça.

Com a porta quebrada, os policiais passam a imobilizar os jovens sobre os estilhaços de vidro. Neste momento fica nítido o desespero dos demais alunos. Na sequência, outro jovem é violentamente jogado no chão, também sobre o vidro estilhaçado.

Enquanto retiravam um estudante do interior da moradia sob golpes de cassetete, um dos policiais ainda chuta um dos alunos que já estava deitado no chão, imobilizado, do lado de fora da casa.

A gravação também retrata que nem mesmo as mulheres foram poupadas da agressividade policial. Elas também foram golpeadas e arrastadas.

A ação da policia foi truculenta e covarde. Durante o espancamento, se salvou quem conseguiu fugir para os quartos, ouve três disparos de arma de fogo, o que fez muitos jovens se esconderem em banheiros e deitarem no chão com medo de uma invasão nos andares de cima, a todo o momento todos se questionavam o porquê daquela atitude primitiva vinda dos policiais.

Causa Operária: Os vizinhos depuseram em favor dos estudantes?

Estudantes: Sim, os vizinhos nos apoiaram ao relatar o que presenciaram.

Eles nos contaram também que só perceberam a nossa celebração a partir da presença da polícia na moradia.

Causa Operária: É a primeira vez que esse tipo de coisa acontece com estudantes da Unila?

Estudantes: Sim. É a primeira vez que ocorre uma invasão policial em residência estudantil na universidade. Diante da violência que Foz do Iguaçu carrega, a agressão sofrida pelos 8 estudantes e a invasão da residência de mais 52, marca um processo da universidade na cidade, ao avaliarmos a diversidade cultural implementada em Foz após receber seus primeiros alunos em 2010.

Causa Operária: O caso da Unila se dá no momento em que a presença da Polícia Militar está sendo questionada nas universidades, especialmente na USP, por motivos que a cada dia se tornam mais óbvios. Até mesmo a ONU sugeriu que a PM fosse abolida no Brasil. Vocês poderiam comentar esse fato?

Estudantes: Segundo dados da Folha Online vinculados em 2008, o Brasil é o país na América Latina que menos possui alunos em faculdades públicas. Os estudantes, após virem de uma educação de base desvalorizada, deparam-se com medidas ''temporárias'', como Prouni ou as cotas para alunos vindos de colégios públicos. É comemorado como uma grande vitória ingressar em uma universidade publica e fazer parte de uma minoria que teve a chance que seus pais e muito menos seus avós tiveram.

Mas dentro da universidade, o descaso não para. As greves exigindo condições básicas do governo demonstram isso. Há uma desestruturação geral. E, atualmente, estamos acompanhando quase que diariamente a violência desempenhada contra aqueles que o governo gosta de chamar o “futuro do país”'. Estudantes abertos ao dialogo como ocorreu na Unifesp são levados para a delegacia dentro de um ônibus cedido pela própria universidade, reprimidos e oprimidos com a força física. Esquece-se que dentro da universidade o confronto é de ideias, esquece-se que a universidade não é um campo de concentração ou de treinamento para guerra.

Ser universitário neste momento no Brasil é sinônimo de desesperança.

O que ocorreu em Foz do Iguaçu, dentro de uma moradia estudantil da Unila, a partir de uma denúncia de perturbação que sequer foi registrada no boletim oficial da polícia; o que ocorreu dentro do campus da USP; e o que atualmente ocorre dentro da Unifesp é absurdo. Estão acabando com tudo através do cassetete do policial. Não se sabe exatamente qual é o objetivo final da agressão física, e joga-se no ralo séculos de estudo sobre os efeitos da tortura e da punição.

Especialmente na Unila, vê-se a vontade da integração latino-americana. Jovens saem de seus países, muitos já vem de outra universidade e se deparam com um projeto empolgante. Porém o próprio sistema o está tornando duvidoso.

A Unila divulgou nota sobre o ocorrido apenas após a pressão de alguns professores e alunos, e tardiamente (na quarta-feira, dia 06 de junho), enquanto que, na segunda-feira, dia 04, procurada pela imprensa, disse que não se manifestaria, que, pelo entender da reitoria da universidade, tratava-se de um problema particular, ocorrido fora do horário de atividades.

Diante de todos os fatos envolvendo universitários, diante do que acompanhamos diariamente sobre a ação errônea da polícia, deve-se refletir a partir de que ponto a força armada deveria ser utilizada.

Causa Operária: Pelo que vocês estão lutando agora?

Estudantes: Além de lutarmos pela apuração dos fatos em base de provas concretas como os registros coletados, os vídeos, lutamos por um espaço na cidade de Foz do Iguaçu.

A cidade que por sua localização caminha de encontro com a proposta da universidade (a de integração), demonstra através de gestos como os efetuados por parte da polícia, um extremo nível de violência. O qual está submetido qualquer estudante. E este, já conformado com tamanha brutalidade, compreende que a violência sofrida pelos estudantes, só acrescentam os números de ocorrências da cidade.

A forma com que a polícia tratou a ocorrência, não diferenciou um estudante de um bandido, não estabeleceu a ordem com três tiros ao alto e tampouco combateu algum tipo de crime.

Tudo o que presenciamos nesta Moradia na madrugada de domingo, dia 3, relaciona o ato à proposta de abolição da Polícia no Brasil; fortalece as redes que vêm sendo estabelecidas com estudantes de outras universidades federais e nos aproxima da realidade que Foz do Iguaçu tem com a polícia, quando esta se dispõe a agredir quando ainda é possível conversar.

Declaramos que nossa luta não se encerra com a anulação desses atos. Embora recém-chegados, estamos inseridos neste contexto e dispostos a partilhar nossos sonhos com a comunidade de Foz do Iguaçu. A convivência pacífica e generosa entre os povos é a tradição simbólica que qualifica esta cidade como a principal fronteira que, unida pela ponte da Amizade e banhada pela beleza das cataratas, constitui uma das regiões mais belas e pacíficas do mundo.

Estamos aqui porque fazemos parte de um projeto que visa fortalecer os laços que unem estes povos. Somos os primeiros filhos dessas jovens democracias que começam a florescer na América Latina. Nossos pais nasceram antes dessas democracias e nos ensinaram a abominar a ditadura.

O que aconteceu com os estudantes da "Quebrada do Guevara" foi a reedição de cenas vividas nessas ditaduras, e tendo os policiais agido com os mesmos métodos e os mesmos insultos de décadas atrás, reiteramos nosso repúdio à essa ação criminosa praticada por delinquentes fardados contra estudantes.
Fonte:
http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=36630

Aberta a temporada de caça aos estudantes da UNILA


A Moradia 1 dos estudantes da Unila foi invadida por policiais militares nesta madrugada. Ao que tudo indica, não houve vítimas e a invasão ocorreu sob proteção de um veículo de comunicação.

Diante do ocorrido, das provas e de toda repercussão do fato de semana passada na Quebrada do Guevara, há de considerar que os policiais envolvidos na ação cometeram um crime e portanto são réus nessa batalha travada contra estudantes da Unila.

O que mais estranha é o comportamento de alguns setores dos meios de comunicação de Foz do Iguaçu. Esta invasão à moradia é notadamente parte da escalada de represálias que a polícia investe contra os estudantes. Ao que ocorreu na moradia 1 soma-se outras como as sucessivas abordagens com insultos que muitos estudantes estão sofrendo. A participação da mídia nessa ação faz lembrar a associação que está sendo provada no congresso nacional entre a mídia e o crime organizado através da CPI do Cachoeira. Até onde vai essa relação? Com que objetivo a polícia e parte dos meios de comunicação estão associados nessa empreitada contra estudantes da Unila?

Uma coisa é fato: Sendo estudantes universitários as vítimas da vez, as coisas parece que não ficarão tão impunes. A idéia de que na Unila só há "marginais favelados" como dizem os defensores da ação da polícia nas colunas de comentário deste blog, gera uma uma sensação nessas pessoas de que somos incapazes de nos defender. Eles associam o fato de sermos na maioria pobres com a ignorância e a falta de instrução e movidos por estes preconceitos acreditam que nos farão desistir.

Mais uma vez, o Blog Quebrada do Guevara se põe a disposição de denunciar e exigir que seja feita justiça.

Campus da Unila também será atração turística em Foz do Iguaçu


Projeto da sede da Universidade da Integração Latino Americana é do arquiteto Oscar Niemeyer e prevê investimentos de R$ 500 mi

Não menos audacioso que o projeto da nova Universidade da Integração Latino Americana (Unila), a primeira bilíngue do País e que pretende reunir 10 mil estudantes e 500 professores de todo o continente em cinco anos, é o de sua sede. Um prédio para salas de aula, outro para laboratórios de pesquisa, um edifício para a reitoria e salas de professores, um anfiteatro com palco giratório para uma área de eventos com capacidade de até 10 mil pessoas, um restaurante universitário e uma biblioteca devem ser construídos em um terreno de 40 hectares doado pela Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Tudo isso projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.


Para concretizar a obra, que prevê ainda passarelas de acesso entre as principais edificações e uma galeria de serviços para atender toda a estrutura do campus, serão necessários pelo menos três anos e um investimento da ordem de R$ 500 milhões. Além da sua função, a de abrigar uma instituição de ensino, a construção pretende agregar um atrativo turístico à região.

“Muitos estrangeiros que visitam as Cataratas do Iguaçu não vão ao Rio e a Brasília, onde estão as importantes obras do arquiteto Niemeyer, muito conhecido no exterior. Para uma cidade como Foz, incorporar um projeto dessa natureza potencializa ainda mais o turismo e favorece a taxa de permanência na cidade”, diz o pró-reitor de planejamento e administração da Unila, Paulino Motter, que acrescenta que a torre do prédio vertical, onde ficará a reitoria, vai ter 20 metros acima da crista da barragem de Itaipu, de onde será possível ter uma vista do lago.


A construção está prevista para ser feita em etapas. Na primeira, em fase de preparação da licitação, estão os prédios de salas, da administração e o refeitório, o básico para que a estrutura da universidade possa se transferir para a nova sede, ao lado do Parque Tecnológico Itaipu, onde a Unila está provisoriamente instalada. Para isso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) teria se comprometido em investir R$ 306 milhões até 2013. O laboratório e o anfiteatro ficam para uma fase posterior, mas que também poderia ser feita em paralelo.

Preocupado com o projeto que doou para a Unila, Niemayer fez uma carta para presidente Lula pedindo para que toda a obra fosse licitada de uma vez.

“O arquiteto tem receito de que a obra seja iniciada, com toda uma concepção amarrada, mas que não venha a se concretizar”, conta o pró-reitor. “A preocupação é pertinente, mas não vemos impedimento em fazer em duas etapas”, acrescenta.

Em paralelo, já está sendo tocado o prédio da biblioteca, que pretende ser também um centro de documentação da América Latina. Trata-se de um projeto internacional, que vai receber a maior parte dos recursos do Fundo Estrutural de Convergência do Mercosul, que reúne recursos de todos os países do grupo e, portanto, tem uma licitação internacional à parte.

Campus atual fica no Parque Tecnológico Itaipu
Enquanto o novo campus não fica pronto, a Unila se beneficia do apoio da Usina de Itaipu e de seu parque tecnológico, o PTI, onde fica o campus provisório. A estrutura, localizada no antigo alojamento de barrageiros que construíram a usina, abriga também uma incubadora tecnológica, instituições de pesquisa, um pólo presencial da Universidade Aberta do Brasil (instituição de ensino à distância) e salas de aulas e laboratórios de outra universidade, a Unioeste. Além disso, a estrutura compartilhada tem refeitório, postos de serviços como bancos e correios, auditórios e tudo o que a Unila precisa nesse momento para abrigar seus 206 alunos. Já pensando no crescimento da universidade, novos prédios também estão sendo reformados para abrigar salas de aula.

“É um privilégio estarmos aqui neste espaço. Até a conclusão da nova sede, não vejo impedimento ao crescimento da Unila com a estrutura que o PTI pode prover”, diz o pró-reitor Motter.

O professor argentino Eduardo Jorge Vior, o único concursado de fora do País na universidade (há outros cinco estrangeiros na condição de visitantes), no entanto, aponta um problema. Como o campus fica em área de segurança binacional da usina hidrelétrica, existe um rígido controle na entrada. Alunos, professores e funcionários têm um crachá para entrar no PTI, mas convidados precisam se identificar previamente e receber autorização.

“Como vamos fazer para fazer atividades de extensão?" pergunta.

Para atenuar essa dificuldade, a Unila está buscando um espaço na cidade, onde possa organizar atividades para a comunidade. Apesar disso, para o pró-reitor de graduação Orlando Pilati, compartilhar o espaço com outras universidades e instituições de pesquisa não é negativo e os alunos podem se beneficiar da convivência.

Fonte:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/campus+da+unila+tambem+sera+atracao+turistica+em+foz+do+iguacu/n1237830320918.html


domingo, 10 de junho de 2012

Leia o que Zé Dirceu escreveu sobre os acontecimentos na Quebrada.


Lamentável atuação da Polícia Militar em Foz do Iguaçu
Zé Dirceu é ex-ministro do governo Lula.


Publicado em 06-Jun-2012
Inadmissível a truculência da Polícia Militar em Foz do Iguaçu (PR) contra estudantes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Cinco viaturas (uma da Tropa de Choque) foram acionadas em função de reclamação de morador provocada por conta de uma festa. Resultado: jovens agredidos, feridos e levados à delegacia em um clássico episódio de abuso de poder cometido por policiais.

Sábado à noite, os estudantes da UNILA promoviam uma festa de aniversário em uma das moradias da universidade. Uma denúncia de “perturbação da ordem” acionou os PMs que se dirigiram para o local. Quando chegaram, exigiram falar com o “representante da festa” para levá-lo preso.

Em entrevista ao portal Clique Foz, Jessé Rafael Neri Santos, estudante de Letras da UNILA, conta que os jovens explicaram aos policiais que “não tinha um representante e que não há hierarquia na moradia”.

Não contentes, os policiais pediram reforços e reuniram cinco viaturas – uma da Tropa de Choque! Tudo, meus caros, para resolver um problema de rotina ante 40 estudantes desarmados que participavam de uma festa.

Prova inconteste do abuso de poder


Veja o vídeo
Os policiais entraram com cassetetes em punho e não só xingaram como agrediram e espancaram os jovens. Não bastasse isso, levaram oito estudantes para a delegacia e autuaram dois por perturbação da ordem e desacato à autoridade.

Desacato à autoridade? Com que direito os policiais vão para cima dos universitários da UNILA? Veja você mesmo, leitor, a estupidez que foi a intervenção dos PMs (clique aqui para acessar o vídeo). É chocante! São imagens que nos fazem lembrar os piores anos da ditadura militar, quando os direitos civis não existiam neste país.

“Eles batiam com cassetete, davam chutes, não importava se era homem ou menina”, afirma Jessé. Um dos autuados, Leonardo S. Lopes teve duas fraturas e várias lesões no corpo. A estudante Agustina Cola, de apenas 20 anos, foi presa. Ela conta ao portal: “Eles simplesmente me jogaram na parte de trás do carro [camburão]. Em momento algum me explicaram o que estava acontecendo ou tentaram me acalmar. Eu fiquei muito assustada com tudo isso”.

A ação dos policiais, além de deixar óbvio o despreparo da polícia para lidar com a situação, revela os preconceitos presentes na corporação. O jovem venezuelano Vicente Giardina, também autuado, relata que os policias falaram mal do seu país: “Eles [os policiais] diziam que na Venezuela não tem gente, só tem animal, e questionavam o curso que eu estudo, foi uma humilhação”.

O episódio é relatado pelos próprios estudantes no blog Quebrada do Guevara.

A resposta da PM

O Comandante da PM, major Elias Ariel Sousa, afirma que a corporação trabalha com o “mínimo de efetivo nesses casos de perturbação de ordem”. Tenta justificar, afirmando que os alunos estavam “visivelmente alcoolizados” – eles estavam em uma festa, Major.

Ele pondera que “os policiais usaram arma de pressão, não para atingir os alunos, mas para dar o efeito moral e dispersar a aglomeração”. Mas a verdade é que não há justificativas para ação da PM na UNILA. Providências precisam ser tomadas. É o que espera a sociedade brasileira em tempos democráticos. Não podemos admitir tais atitudes da polícia militar, que agiu como se estivesse na ditadura militar. Preconceito, violência e abuso de poder não fazem parte do Brasil democrático que lutamos para construir.

Fonte:
http://www.zedirceu.com.br//index.php?option=com_content&task=view&id=15479&Itemid=2